domingo, 17 de outubro de 2010
Carrossel encantado
QUISERA ANDAR DE CARROSSEL
Quisera andar de carrossel
Com um sorriso de criança que ri
Rosto rebuçado, melaços de mel
Laivos da festa que resta em ti…
Num dedo prendo o balão,
Com outro seguro o corcel
Soco a bola com a mão
As mãos, o rosto e a testa
Besunto-me todo com mel.
Solta-se dos dedos o balão
Que voa a caminho do céu
-Mãe! Vai-me apanhar
Um sorriso igual ao seu…
-Meu filho a mãe não sabe!
Ler, nunca aprendeu:
A mãe vai procurar
O balão que se perdeu…
-Mãe que sabe escutar,
Meus choros em seu coração
Abençoada o seja minha mãe
Por tudo o que foi e me deu!
Rodopiam as lembranças da festa
Pára o movimento ondulante
Sujo-me de novo a cada instante…
Sem rebuçados com sabor a mel
*** poeta português Rogério Martins Simões
sábado, 16 de outubro de 2010
Carta para minha mãe
Tentei não lembrar, não pensar nessa data.
Mas logo que acordei, recordações doces saltaram em minha mente.
Quisera eu tê-la aqui para apreciar e deslumbrar-se com o que vejo agora.
Como seria lindo vê-la com meus filhos, Enzo e Aimê. Eles são seres incríveis. Tenho certeza do quanto vocês se divertiriam juntos. Descobririam esse novo mundo. Desfrutariam das coisas simples da vida, como você me ensinou.
São 10 anos mamãe! O tempo voou. Já tentei mandar uns recados "por Deus", mas não sei se eles chegaram até você.
Queria que você soubesse que estou bem. Alguns momentos foram muitos difíceis depois de sua partida. Mas os enfrentei com a mesma coragem que a vi demonstrar pela vida. Muitos momentos choro sozinha imaginando estar em seu colo. Em outros alinho minha mente aos pensamentos que você insistentemente tentou incutir em mim. Eu os guardo, cultivo e planto nos pequenos corações de meus filhos.
Tenho uma família linda. Um marido companheiro, amigo, leal. Você estava certa: ele era a pessoa com quem eu me casaria. E sim, ele continua lindo.
Moro longe de nossa casa. Mas mantenho vivas as memórias do meu passado. Resolvi explorar o mundo, e tenho certeza que você adoraria fazê-lo comigo. Aqui as ruas são cobertas por árvores. Os jardins nos fazem suspirar. Você ficaria apaixonada pelas cores, formas e cheiros.
E eu? Tornei-me uma boa dona-de-casa; você não acreditaria. Minha comida desperta elogios, mas está longe de ser saborosa como a sua. Tenho em você a melhor inspiração para ser uma mãe dedicada. Tenho tentado. Quando fraquejo, resgato momentos vividos ao seu lado, para ter a atitude correta, a palavra meiga. Continuo firme em minha relação com Deus. Depois de sua morte, passei alguns anos com uma revolta que secava minha alma. Mas, gentilmente Deus tratou das minhas dores. Trouxe-me alento.
Não sei mamãe, se nessa imensidão daquilo que se chama vida, há algum tipo de dimensão desconhecida que levará minha voz através dos ventos e tempestades. Porque minhas palavras vão com essa intensidade. Saem de mim num sopro desesperado.
Eu a amo da mesma forma. Não mudou, não enfranqueceu, não diluiu-se. Você está viva em mim. Em meu comportamento. Intensões. Trejeitos. Olhares. Está viva em quem sou. Por isso é penosa sua ausência. Conviver com tudo que é de sua existência, embora sem tê-la.
Escrevo com muito amor e saudade, minha querida.
Lara
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Reforço positivo
Muitas vezes o adulto não percebe que um comentário dele traz prejuízo à criança
Pais e professores muito rigorosos devem ficar atentos para não exagerarem na dose: segundo uma pesquisa, a cobrança dos adultos gera mais estresse nas crianças do que o bullying - como é chamada a prática de violência, humilhação e intimidação física ou psicológica entre os jovens, geralmente na escola.
De acordo com o trabalho realizado pela Isma-BR (International Stress Management Association do Brasil), as críticas dos adultos, o excesso de atividades na rotina e o bullying são, nesta ordem, as três principais causas do estresse mais citadas pelos pequenos.
"Muitas vezes o adulto não percebe que um comentário dele traz tanto prejuízo à criança. Toda criança precisa de limites, mas a maneira de o adulto se expressar e estabelecer esses limites vai ser importantíssima para a formação da autoestima da criança", explica Ana Maria Rossi, psicóloga que coordenou a pesquisa. "O bullying não é tão comum quanto a convivência com o adulto. Por isso, a maioria das crianças citou as críticas dos pais".
A psicóloga afirma que o adulto precisa, antes de qualquer coisa, identificar as limitações de cada criança. "É importante dar à criança desafios compatíveis com a idade. Há pais que pedem para o filho pagar contas na internet e, quando a criança erra, o pai reclama, a chama de burra, de incompetente. Isso é inaceitável", diz Ana Maria.
Quando uma criança não faz o dever de casa de forma correta, por exemplo, os adultos devem tentar ajudar. "Ao invés de dizer que está tudo errado, deve se sentar com a criança e ajudá-la a fazer da forma correta. Mostrar que ela pode fazer certo e incentivá-la", aconselha Ana.
O psiquiatra Fábio Barbirato, chefe do setor de Neuropsiquiatria infantil da Santa Casa de Misericórdia, concorda. "Os pais são figuras de autoridades e de acolhimento. Se o pai tem voz austera e só cobra, não reforça positivamente a criança. E quanto maior a pressão, maior o risco de a criança ficar estressada, ansiosa e ter depressão".
*** Fonte: Bem-estar, Terra.