terça-feira, 12 de outubro de 2010
Reforço positivo
Muitas vezes o adulto não percebe que um comentário dele traz prejuízo à criança
Pais e professores muito rigorosos devem ficar atentos para não exagerarem na dose: segundo uma pesquisa, a cobrança dos adultos gera mais estresse nas crianças do que o bullying - como é chamada a prática de violência, humilhação e intimidação física ou psicológica entre os jovens, geralmente na escola.
De acordo com o trabalho realizado pela Isma-BR (International Stress Management Association do Brasil), as críticas dos adultos, o excesso de atividades na rotina e o bullying são, nesta ordem, as três principais causas do estresse mais citadas pelos pequenos.
"Muitas vezes o adulto não percebe que um comentário dele traz tanto prejuízo à criança. Toda criança precisa de limites, mas a maneira de o adulto se expressar e estabelecer esses limites vai ser importantíssima para a formação da autoestima da criança", explica Ana Maria Rossi, psicóloga que coordenou a pesquisa. "O bullying não é tão comum quanto a convivência com o adulto. Por isso, a maioria das crianças citou as críticas dos pais".
A psicóloga afirma que o adulto precisa, antes de qualquer coisa, identificar as limitações de cada criança. "É importante dar à criança desafios compatíveis com a idade. Há pais que pedem para o filho pagar contas na internet e, quando a criança erra, o pai reclama, a chama de burra, de incompetente. Isso é inaceitável", diz Ana Maria.
Quando uma criança não faz o dever de casa de forma correta, por exemplo, os adultos devem tentar ajudar. "Ao invés de dizer que está tudo errado, deve se sentar com a criança e ajudá-la a fazer da forma correta. Mostrar que ela pode fazer certo e incentivá-la", aconselha Ana.
O psiquiatra Fábio Barbirato, chefe do setor de Neuropsiquiatria infantil da Santa Casa de Misericórdia, concorda. "Os pais são figuras de autoridades e de acolhimento. Se o pai tem voz austera e só cobra, não reforça positivamente a criança. E quanto maior a pressão, maior o risco de a criança ficar estressada, ansiosa e ter depressão".
*** Fonte: Bem-estar, Terra.
domingo, 19 de setembro de 2010
Papo sério
Motivada por saber mais do que as razões óbvias para a leitura diária, comecei a fazer uma pesquisa pela Internet. Encontrei essa matéria "fresquinha" e achei oportuno compartilhar aqui no blog.
O artigo, publicado na revista Research in Social Stratification and Mobility, mostra que pessoas que cresceram em casas com até 500 livros têm 33% a mais de chance de concluir o ensino fundamental e 19% de se graduar numa universidade. Para chegar a esses números, pesquisadores americanos ouviram mais de 70 mil pessoas em países como China, Rússia, França, Portugal, Chile e África do Sul.
A partir da pesquisa, eles defendem que políticas de estado sejam desenvolvidas para incentivar a educação.
A proposta é que se meça a quantidade de livros em cada casa de família e, de acordo com o resultado, o governo providencie mais exemplares para onde houver poucos. No trabalho, a socióloga argumenta que tal medida seria eficaz até mesmo para o desenvolvimento educacional e econômico de algumas comunidades rurais.
- Aproximadamente quantos livros existiam na sua casa quando você tinha 14 anos?"A pergunta foi feita às 70 mil pessoas que participaram da pesquisa.
Cada livro conta
“Aproximadamente quantos livros existiam na sua casa quando você tinha 14 anos?” Essa era a pergunta feita a cada entrevistado. Os que cresceram sem nenhum livro por perto atingiram, em média, sete anos de estudo.
O estudo mostrou ainda que, do ponto de vista do impacto sobre a escolaridade dos filhos, a diferença entre uma família sem livros e outra com 500 livros é praticamente a mesma que ocorre entre famílias de pais pouco letrados (com até três anos de estudo) e de pais com diploma universitário.
Ou seja, o bônus de escolaridade de uma criança criada por pais com o terceiro grau completo é o mesmo de outra que cresceu rodeada de livros – cujos pais podem ser mais escolarizados ou não. Apenas 3% daqueles que não cresceram com livros conseguem entrar na universidade, enquanto 13% dos que têm essa cultura em casa atingem o terceiro grau.
Em países marcados por um sistemas de repressão, como China e a África do Sul do apartheid, verificou-se que o costume de leitura era maior. Os autores sugerem uma razão para tal: o livro poderia ser visto como uma alternativa à repressão que os indivíduos sofriam.
- Piso para a leitura: pesquisadores defendem que governos ajam para garantir um mínimo de livros em casas de famílias
De geração para geração
Os responsáveis pelo estudo garantem que uma vida cheia de livros fornece habilidades essenciais ao desempenho escolar e profissional das crianças: vocabulário, informação, imaginação, familiaridade com a boa escrita e raciocínio lógico.
Quanto aos avanços tecnológicos e ao surgimento de livros virtuais, Mariah Evans responde que o importante é o conteúdo, e não o formato. “Só poderemos saber ao certo quando a geração da internet crescer, mas o importante é facilitar o acesso aos livros”, defende a socióloga.
Larissa Rangel - Ciência Hoje On-line 20/07/2010